segunda-feira, 23 de abril de 2012

Saudade... Emoção... Fantasia!


                                Para Ilana que se emociona com tão bela história...

domingo, 22 de abril de 2012

UPA! 24 horas


          Não é UPA, UPA, cavalinho, não, é UPA, UPA ,burrinho... Que paga imposto, por sinal o mais caro do mundo. Vamos conferir como isso funciona. Chegamos, a paciente entra, é maior de idade, acompanhante não entra. Fico aguardando, ainda bem que tem cadeira pra sentar. Quanta gente chega! É um atrás do outro. É criança, é adulto. Todos com cara de quem comeu e não gostou. Cara de febre, cara de dengue. Será mesmo dengue o que ela tem? Sei não. Quando passamos na calçada do shopping e ela adora, falou-me que não sentia nada, a não ser a dor nos olhos. Quase a convidei para ver as modas, mas achei melhor não convidá-la. Nosso objetivo é o9 UPA! Vamos ao UPA e vamos esperar o parecer do médico. Se ela sair por aquela porta alegre e sem cara de dengue até me atrevo a convidá-la a passar no shopping, já que estamos aqui. Aguardemos para ver quantas horas esperaremos. São 13 h e 4 min.
          Acabo de lembrar que hoje é feriado. Coisa mais sem graça um feriado no sábado. Mas vem logo outro na segunda. Há quem reclame de tanto feriado.  Brasil, país dos feriados. Tem feriado de tudo! Hoje é Tiradentes, segunda é São Jorge. Oh, São Jorge, fazei desse Brasil um país mais humano! Onde a ganância e o egoísmo se dissipem dando lugar ao amor e à paz.
          Que coisa feia! Hoje estou para tomar de tudo. Também, quem mandou sentar aqui com lápis e papel se for para escrever. Que coisa feia! Estas mães que vêm com suas crianças ao médico como se fossem à praia. Cada roupa... Outras parecem que vão ao baile. É salto alto, é rasteirinha... Mas afinal, eu vim acompanhar ou tomar conta do que vejo? Acho que as duas coisas. Fecho os olhos para descansar a vista. O telefone toca. É ela dizendo para eu ir embora que ela vai demorar. Digo que não e aproveito para dizê-la que se não estiver com dengue iremos ao shopping, nem que seja só para ouvir a sua risada, embora num ambiente indevido, sorrir agora não seria adequado. Todos estão apreensivos.  Uns com febre.  Outros com tosse.
 Outros que vomitam. Quanta criança! Observo do recém-nascido aos seis anos em média. Mas há adolescentes, jovens e idosos. Não há uma idade padrão. É sábado, ainda por cima, feriado e me disseram que são apenas dois médicos atendendo.  E que esta Unidade é referência de bom atendimento, por esta razão, a grande procura.
          Meu Deus, agora senta ao meu lado um senhorzinho que trouxe a filha de seis anos, mas como conversa. Enquanto a esposa acompanha a filha, ele conversa sobre tudo. Diz até que não almoçou.  É bombeiro hidráulico. Fala de Engenharia e Arquitetura, de teoria e prática.
Quanta gente feia, meu Deus! Já não basta ser pobre, tem de ser feia também?  Que coisa! Pobre, feia e doente! Precisa mais? Falta alguma coisa? A vejo pelo vidro da porta sorridente. Acho que vamos ao shopping, nem que seja para comprar o remédio. Vejo a coisa meio esquisita. Não dormi bem à noite. Estou com a imunidade baixa e já sinto que a barriga está estranha. Não quero vomitar, nem uma crise de diarreia, mas parece contagioso, duas horas no meio de tantos vírus e bactérias. Quero sair viva!
          Depois dessa, penso que nunca mais ela deixará de ir ao médico ao primeiro sinal de febre.
          Eu não disse? Cá estamos. No shopping! DIPIRONA? Dengue? Não, Suspeita...
Compramos a dipirona recomendada pelo médico. E fomos ao lanche... Quase seis horas depois, estamos em casa.

Dedicado a Ilana, a menina “dengosa”.
Flor das Bravas.

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Mandy

                                                   
                                       Para Socorrinha e Edicélio, mais jovens...
                                       Para Francisca e Cyrle, velhos tempos quando o amor ainda era...

domingo, 8 de abril de 2012

terça-feira, 3 de abril de 2012

Andar na corda bamba em cima de navalhas

Observando e ouvindo a conversa delas, enquanto cutuco a plataforma do curso a distância, escuto: Imagine a pessoa andar na corda bamba em cima de navalhas!"
Olho para as duas  e começo a rir. Quero entender o que elas dizem e essa frase fica na minha cabeça. Fui logo pensando que daria uma bela crônica. O tema seria expressões indiomáticas que tivessem o mesmo sentido. Pisando em ovos, cuidado com o andor, andar na linha e muitas outras que não me lembro. Mas  imagino a cena: uma corda bamba e um festival de navalhas logo abaixo... Fico curiosa e a crônica não vem. Penso e repenso, dia após dia, até que recebo a explicação. As meninas estavam realizando um trabalho sobre Segurança no Trabalho, quando uma explica para a outra: A segurança no trabalho tem de ser de responsabilidade das duas partes, de um lado o chefe que disponibiliza o equipamento e do outro o empregado que tem de usá-lo. É responsabilidade dos dois. E é aí que entram as navalhas. Quando uma diz: "Imagine você de capacete na cabeça, andando numa corda bamba em cima de navalhas!" Que belo exemplo! Pronto não tenho mais dúvidas, elas não estão brincando com  expressões idiomáticas, elas estão falando de vida, de segurança no trabalho. É a conclusão do trabalho final do curso de uma delas. Essas meninas vão longe!

Dedicado a Renata e Ilana
Artemísia

quarta-feira, 28 de março de 2012

"Me aposentei com dez, hoje vivo de quatro"

E a curiosidade me bate e a vontade de gritar é tanta que sufoco. Para onde vão os seis?
O Brasil é um país maravilhoso. Não nego e o amo com intensidade. É o meu país! Mas para onde vão os sessenta por cento do trabalhador que dedica uma vida inteira, garante o seu salário com dignidade e o vê rebaixado por um capricho de quem não vive de quatro. Ou será que vive? E nós votamos neles. E nós continuamos votando neles. Porque essa história vem de muito longe. Claro que não é tão de longe assim, uma Nação que tem apenas quinhentos e doze anos ainda é muito jovem, diante daquelas que têm dois mil, dez mil. E por falar em dez, lembro do senhor que encontrei na estação de trem. Muito alegre, falante, que na sua conversa fala da família. Fala do desrespeito para com o idoso e diz que no ônibus que tem ar condicionado o idoso não entra e vamos entrelaçando nossos pensamentos e nossos falares. É a vida! E "o Brasil é maravilhoso porque não tem terremotos". E compara a vida de operário lá de "fora" que tem carro, a esposa tem carro e conta mais uma historinha de um sobrinho que vive em Orlando que começou a vida limpando tapete e hoje é rico. Fala dos seus filhos que são formados e até de um neto que faz Enfermagem, mas quer fazer Medicina. Toda a conversa dura enquanto esperamos o trem. E chega o trem. Ele entra comigo no vagão feminino. Logo se ouve o grito "homem não pode!" E vem o funcionário da Supervia que o conduz ao seu devido vagão, ou seja, ao vagão masculino. Ele vai, mas há homens teimosos e daí a pouco um bate boca, o funcionário pede ao jovem para respeitar o vagão feminino e ele responde: Eu não posso, você pode?! Ora, ele sendo funcionário, não é passageiro, mas aí já é outra história. O assunto inicial é sobre quem vive de quatro, quando seu direito era com dez. Dez salários mínimos!
Vagão Feminino.
Ar Condionado.
Sentada!
23 de março de 2012.
Rio de Janeiro - BR
Destino: Engenho de Dentro

Artemísia, Flor das Bravas.

terça-feira, 27 de março de 2012

Desiderata

                                 Um belíssimo programa de vida para todos!
                                 Com um sincero abraço das colaboradoras:
                                                    Ilana e Artemísia